





Arqueiro carioca carioca





Minha arquitetura



Me lembrei de uma canção: “traço um poema de arquitetura ideal, onde a própria nata de cimento encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair faíscas das britas e leite das pedras... Acordo! E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo... Acordo!”
Meio que é isso...
Tenho a pretensão de ir me construindo, me arquitetando para, a cada dia ser melhor que no dia anterior eu fora. E assim fui vivendo, e assim vou vivendo...
Tenho alguns prazeres e poucas paixões: gosto de cinema, teatro, passeios ao ar livre, museus, parques, viagens, culinária, fotografia... Mas sou apaixonado por carnaval (escolas de samba em especial), artes em geral e pela minha profissão: professor.
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Arquitetura 1: Carnaval
Desde pequeno gosto de me fantasiar, brincar carnaval, frequentava as matinês do Irajá Atlético Clube; transitava pelos carnavais de rua dos bairros de Vaz Lobo, Irajá e Vicente de Carvalho (com seus coretos, blocos, marchinhas, sambas...). Passear pelo centro da cidade para ver as alegorias antes do desfile me fascinava. Via meus vizinhos saírem fantasiados e voltarem cantando pela manhã (nem imaginava que eles desfilavam pelo Império Serrano. E o Bohêmios de Irajá?...um acontecimento no carnaval de rua... Até que, em 1989 estive no Sambódromo/RJ pela primeira vez e desde então só venho me embrenhando cada vez mais no meio das escolas de samba. Já fui até carnavalesco de dois blocos! Em parceria com alunos, escrevemos o enredo de uma escola mirim: Corações Unidos do CIEP e levamos (eu e o povo da EM Rodrigo Otávio Filho) três ônibus de alunos para desfilar pela agremiação. Pois é... Quem diria... Imperiano de fé, amante das escolas de samba em geral, sigo vivendo meus carnavais.
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Arquitetura 2: Artes
Minha formação me levou a este gosto: jornalista e professor. Aos poucos o mundo das artes foi entrando em minha vida, fincando raízes, me dando cada vez mais prazer: prazer em assistir, prazer em estudar, prazer em promover o contato dos meus alunos com manifestações artísticas diversas. Admito que algumas experiências foram fundamentais para isso: Exposição do Surrealismo e Exposição Esplendores de Espanha no CCBB/RJ; Festival de Teatro de Bonecos SESI, no Aterro do Flamengo; pesquisas realizadas durante o meu mestrado em Literatura Brasileira; os festivais musicais que participei (Hollywood Rock e Rock in Rio)... é tanta coisa...
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Arquitetura 3: Profissão
Sou abençoado por ter conseguido encontrar minha paixão e nela me estabelecer profissionalmente. AMO o contato com meus alunos; gosto de gente. Dar aula é pensar junto, construir junto, crescer junto. Tenho que citar alguns nomes que, sempre que dou alguma palestra, faço questão de citar. Se hoje sou o que sou, além da família e amigos que ajudaram e ajudam a me construir, há algumas pessoas que quando falo em ‘ser professor’ me vem a cabeça:
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Tia Bete – só me lembro do sorriso dela, de mais nada. Mas se me lembro desse fator, acredito que tenha sido para mim uma experiência significativa em termos afetivos. Detalhe, Tia Bete foi minha professora do antigo maternal (pré-escolar);
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Dafne – em apenas um bimestre esta mulher me fez decidir o que eu queria para mim: ser como ela era, fazer o que ela fazia. Eu já estava reprovado no 1º ano do EM quando, em substituição ao meu professor de Literatura ela chegou no último bimestre para dar aulas em minha turma. Foi o suficiente. Foi definitivo;
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Claudia Marcia Vasconcelos da Rocha – Já na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esta pessoa maravilhosa me mostrou que um professor universitário, pelo afeto, confiando, conseguia humanizar a sala de aula com aulas pesquisadas, planejadas, com afeto e dedicação. Claudia foi determinante no meu perfil profissional;
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Maria Elisabeth Hanriot – Me adotou como estagiário na EM Rodrigo Otávio Filho e foi minha mestra em termos de educação pública e tudo que a envolve. Me apresentou o ônus e o bônus de ser servidor e, hoje, toda experiência adquirida me ajuda a caminhar por onde quer que eu vá;
Ainda estou em processo, graças a Deus. Agradeço a Luiz Alexandre Torres, saí de sala de aula para experimentar gestão escolar como Diretor Adjunto (de fato, mas não de direito). Agradeço a Denise de Oliveira por, hoje, além de estar na sala de aula pela Universidade Estacio de Sá, ser gestor da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, na função de Coordenador de Avaliação e Acompanhamento da Diretoria Regional Metropolitana VII (atuando à frente de 105 unidades escolares de quatro municípios da Baixada Fluminense).
Mas como disse, estou em construção...e querendo outros voos.
“Sonho o poema de arquitetura ideal"
E o poema é minha vida.
Elidio Fernandes Junior.





